Atenção: Este artigo presume que você já instalou o Trados. Vamos partir direto para a ação.
Você recebe um trabalho do cliente. No pacote estão incluídos alguns arquivos .ttx, um arquivo .ini e uma pasta com arquivos .iix, .mdf, .mtf, .mwf e .tmw. Você não tem a menor idéia do que fazer com tudo isso.
Talvez o pacote de arquivos que você recebeu difira um pouco desse. Mas se o cliente disse que “é um trabalho de TagEditor” este tutorial vai acabar sendo útil. Vamos ver como usar esse programa.
O TagEditor não vale nada sozinho. Ele trabalha em dupla com o Translator's Workbench, que é instalado junto com o Trados e o TagEditor. O Workbench é que vai gerenciar a memória de tradução. Para o cliente, isso é importante porque as suas traduções vão ser armazenadas na memória que ele vai usar em traduções futuras. Para você, é mais importante ainda, porque muitas vezes o cliente te manda uma memória com traduções anteriores. Quando topar com um termo técnico, você pode dar uma busca na memória e saber como outros tradutores traduziram o termo.
Por isso, o primeiro passo é disparar o Workbench e abrir a memória que o cliente mandou - se é que mandou. Veja se há uma pasta “TM” no pacote. Pode estar em outro lugar também, procure por um arquivo de extensão .tmw. Achou? Ótimo. Então, no Workbench, vá em File > Open e abra o arquivo. Pronto, memória de tradução carregada.
Agora abra o TagEditor. É nele que vamos traduzir. Vá em File > Open e escolha o arquivo .ttx a ser traduzido (provavelmente há mais de um, escolha o primeiro da lista para começarmos). Aqui podem acontecer duas coisas: se o arquivo abrir sem reclamar, ótimo. Mas o TagEditor também pode informar que precisa de um arquivo .ini para entender o documento que você abriu. Nesse caso, você terá a opção de abrir o arquivo .ini que o cliente mandou, e poderemos começar a tradução.
Teremos que trabalhar com os dois programas, o Workbench e o TagEditor. Você pode preferir fazer de outro jeito, mas a maneira clássica de dispor as janelas na tela é esta:
Workbench em cima, TagEditor embaixo. Para começar a traduzir, com o foco no TagEditor, pressione ALT + HOME. Veja o que acontece:
Vamos ver a janela do Workbench primeiro: repare que no rodapé da janela está escrito “No match!”, ou seja: na memória de tradução não existe nenhum segmento igual ou parecido que já tenha sido traduzido. O quadro superior mostra a frase a ser traduzida, e o de baixo está em branco porque o Workbench não encontrou um segmento igual ou parecido na memória de tradução.
Agora a janela do TagEditor: o segmento a traduzir está em azul. Como você já deve ter deduzido, é hora de digitar a tradução na caixa amarela. Mas o que você faz com esses símbolos de cor cinza? Eles representam as tags, que não devem ser alteradas. Simplesmente encaixe-as na sua tradução na posição correta. Para fazer isso, aperte CTRL + ALT + Seta para baixo. A tag atual (no caso, a primeira) será copiada. Para copiar a segunda tag, CTRL + ALT + Seta para a direita. Se houvesse uma terceira tag, CTRL + ALT + Seta para a direita pularia para ela, e por aí vai. Seguindo a mesma lógica, para voltar para a tag anterior dê CTRL + ALT + Seta para a esquerda.
Quando acabar de traduzir o segmento, aperte CTRL e + (tem que ser o ”+” do teclado numérico). Isso fecha o segmento atual e abre o próximo - a não ser que você tenha esquecido de copiar alguma tag, situação na qual o TagEditor vai avisá-lo de que você está prestes a fazer uma besteira. Não esqueça nenhuma tag, pois o cliente não vai esquecer de você.
Mas vamos ver o que acontece se toparmos com outro segmento igual a este que traduzimos:
Note que a caixa onde digitamos a tradução aparece em verde, indicando que um segmento idêntico a este já foi traduzido, e nossa tradução anterior é inserida automaticamente. Lá em cima, na janela do Workbench, note que além do segmento atual no quadro superior, o Workbench exibe no quadro inferior o segmento que encontrou na memória, seguido da tradução que usamos para ele.
Saiba que o Workbench não te ajuda apenas com segmentos idênticos. Se ele encontrar segmentos parecidos, também vai mostrar na janela superior o segmento e a tradução que você usou antes. Nesse caso, o TagEditor também insere a tradução automaticamente, mas a caixa de tradução fica amarela, e não verde, pois o segmento é parecido, mas não igual. Corrija os trechos diferentes e siga em frente.
Isso tudo é o básico do básico do básico. Sabendo isso, você já consegue traduzir com o TagEditor. Mas na próxima parte do tutorial, vou ensinar mais algumas coisinhas para facilitar sua vida.
Gostou do tutorial? Passe o link para seus amigos tradutores. Detestou? Sem problemas: escreva para mim e diga do que você não gostou. Meu email é info@bechtranslations.com.br